Coragem II
Nem todo silêncio é fuga, nem todo fim é abandono. Se eu hesito, se adio, será que sou vilão ou só alguém que teme partir? Dizem que há jeitos cuidadosos de ir embora, mas quem ensina a dosar o peso das palavras, a escolher entre o corte afiado e a lâmina cega que dilacera devagar? Se fico, não é por malícia, se te desfaço em silêncios, não é por desprezo. Mas porque, em mim, existe o medo de ser só mais um nome na tua coleção de perdas. E nesse receio de ser ferida aberta, me torno cicatriz mal fechada. Mas a verdade é que amor sem coragem é só um ensaio sem aplauso, é uma espera muda, é uma saída sem porta. E se partir também for amar? Se a coragem de dizer “não” for a maior prova de respeito? Talvez seja tempo de entender que não sou o centro do teu mundo, nem tua cura, nem tua sentença. E que entre o peso da culpa e a leveza da honestidade, haverá sempre um jeito de ir, sem que o fim seja queda.
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