Carta para o Agora
Carta para o Cleiton de Agora: Eu quero escrever esse texto para dizer que talvez seja normal as coisas não irem bem! Talvez seja normal sentir-se triste estando feliz. Irônico, né? Mas me sinto assim hoje. E tudo bem sentir, a carne sente, o coração também, a vida pulsa e corre constantemente. É bom compreender que, apesar de ser grato, não é possível ser grato todo dia, tem dia que não dá para dar um bom dia, rs. O ser humano oscila, assim como qualquer emoção, reação ou ser vivo. Acredito nas emoções mutáveis, nos sentimentos ressignificados, tudo muda. Ainda agora, pensei em algo tão lindo para escrever e ele já se foi, passou, e já me vejo escrevendo outra coisa, rsrs. (Chorei). E não foi pouco hoje, sentando num banco de um parque. (Súbito e incontrolável). Chorei numa forma de expor, expurgar para fora, de aliviar o que está dentro e se mistura, sem se determinar como alegria ou tristeza. (Eu só chorei). Por muito tempo, eu não chorava assim, como se tivessem arrancado minha família, apagado todos da minha existência. Esse amor que me roubaram (em sonho, fantasiado) é o amor que eu mais amo nessa vida, é o único amor que vivo e compreendo. Chorar sem saber o porquê é uma sensação muito estranha. Nos últimos oito meses, vivi coisas incríveis, recomecei e encerrei muitas coisas. Em dezembro, achei que perderia meu pai, insuficiência cardíaca, foram oito dias de internação e seguimos na reabilitação até hoje, ele é guerreiro, mas anda muito abatido. Isso sempre me preocupa. (O medo me atravessa). Em janeiro, início do ano, projetos e planos a serem concluídos ou iniciados: vamos tentar mais uma vez emagrecer? Sim, vamos e seguimos, corpo é uma questão muito complexa e problemática para mim, sempre fui gordinho, autoestima? Sem, rsrs. Fevereiro, mês do meu antigo amor e de um término pós quase três anos, o relacionamento mais leve que vivi, que se diluiu de uma forma avassaladora, foi um período de ressignificação de algumas coisas, terapia foi e é importante! Entender tudo o que eu sentia e sinto ainda é um processo. Mas a culpa nunca esteve no sentir, somos seres viventes, sentimos. Dialogar era imprescindível, pena que eu nunca soube fazer isso bem e de forma clara, objetiva, estou aprendendo. Março, mês do meu antigo novo amor, rsrs. Sim, eu só arrumo para minha cabeça! Vivemos muitas temporadas, são quase sete anos de "amizade", mas o roteiro de agora está bem melhor, amadurecemos, aprendemos com nossas relações passadas, tivemos picos e baixas e seguimos: feliz, feliz... Alegre, alegre, rsrs. (Do nosso jeito, que ninguém precisa entender ou dar nomes). Abril e maio, meses de voltar para o Tinder, rsrs. De me permitir dialogar desde o início sobre "relação aberta", de dizer não, de me posicionar. Será que eu sei fazer isso? Ainda não sei. Maio me trouxe grandes vivências, me trouxe afeto, intensidade, pessoas e situações peculiares, vivências quanto à minha sexualidade, envolvimento, aceitação, e é tão gostoso não rotular as coisas e passar por cima dos traumas. Foi um período para eu me entender com o meu corpo e entender o corpo do meu parceiro. Ainda estou num processo de melhora dos diálogos, houve bons conflitos que vão além da superfície, e isso me traz certo desconforto: o submundo, as profundezas, a intensidade no seu mais genuíno existir. Eu nunca fui uma pessoa muito reativa, intensa e de discussões, mas aprendi que consigo ser. Dói, mas às vezes é necessário. Sigo aprendendo. Aprendi sobre responsabilidade emocional e tenho dito... Eu sou péssimo. Houve um tempo (junho e julho) em que tudo se misturou, esse período se estendeu, essas questões de afeto, amor, corpo, sexualidade, amizades coloridas, compreensão, emagrecimento, responsabilidade emocional, ressignificação, ex e atuais, rsrs, tudo num ciclo só, foi e é muito doido. Hoje, mais organizado e com algumas questões melhor encaminhadas (não resolvidas), sigo bem! O meu jeito é incompreendido até por mim, sim, eu me saboto. Quem não? Chegará mais um ciclo (agosto) em menos de alguns dias. São os 31, e porra, como é difícil enxergar isso como uma coisa boa, pelo menos para mim, mas... Eu escolho transformar perdas em amadurecimento. Erros em oportunidades de recomeço. Não sou mais o mesmo homem. Sou a síntese das negações e afirmações que foram feitas (por mim e pelos outros) no percurso dos meus "trinta e uns quase" anos. Para quem chegou até aqui, essa é uma carta para o Cleiton de agora. Traz um tanto de afeto e choro, mas que é de alívio e felicidade.
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