Terra

Será que a tua boca pede a minha quando bebe de outro alguém? Que a tua mão procura a minha, porque a minha te procura também? Você se lembra como é bom arder comigo? E eu sei, já faz um tempo desde aquela vez em que não cabia em nós pensar sobre o depois, quando a gente inventou que o mundo era pra dois e as nuvens no seu rosto me diziam sim. A gente se sabia antes de tão perto, e quando eu digo isso, não é sobre o etéreo, não, porque eu viro terra, planto minha raiz no chão quando você existe aqui. Mudam marés, crescem mãos, surgem fés, astros transitam, coisas vão, coisas são. É o teu jeito de me perguntar se eu tô bem, o teu lábio que treme quando não sabe dizer as palavras que são tão íntimas de você, o teu corpo que eu ainda não descobri, mas que eu sinto tão bem quando você existe aqui.

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